Calendário

Junho 2017
DomSegTerQuaQuiSexSab
 << < > >>
    123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930 

Anúncio

Quem está conectado?

Membro: 0
Visitante: 1

rss Sindicação

 
07 Maio 2014 

Maria

"Ave maria cheia de graça o senhor é convosco…", "Santificado seja vosso nome…" em murmúrios, de olhos cerrados, Maria entrava em transe após repetir as orações nas 59 bolinhas de seu terço. Mas, apesar disso, não acreditava em Deus.
Todos os dias, ao repetir o ritual, Maria pedia para ser tocada pela fé divina. Sem sucesso.
Desde que pediu a aposentadoria e teve o primeiro neto, Maria se viu na obrigação de assumir seu papel de vovó tradicional. Não levava o mínimo jeito.
Maria passou 28 anos sendo modelo e agora estava velha pra isso. Para quem sempre fora vaidosa, trocar uma paleta de batons por agulhas de crochê significava uma abdicação violenta.
Ainda não se acostumara com a largura dos quadris, nem com a pele seca e com as mãos de veias saltadas. Assumira as perdas sem se submeter a nenhum reparo, como um prédio que se deixa ruir sem que ninguém conserte suas fundações.
Maria não se olhava no espelho e nem queria mais sair em fotos. Aprendera a fazer empadas e bordados e rezava. Rezava tentando se elevar. Rezava pra ser sublime, sem corpo, sem memórias.
E cada vez mais se abatia.
Sua prole tão bela, com sua genética poderosa, tentava convencer de que ela poderia se cuidar e ser uma "velhinha bonita". De estômago embrulhado e um sorriso fatalista nos lábios, Maria dizia: 
- A velhice nunca é bela.
Pobre Maria! Não enxergava mais a beleza clássica das antiguidades mesmo com os óculos de fundo de garrafa que passara a adotar. E fazia do seu passado mero acaso e não história de um belo legado.
"Rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte, amém."
Assim, Maria, aos poucos, se sepultava.
Admin · 55 vistos · Deixe um comentário
02 Maio 2014 

Od(io)e a pseudo cultura

Todos tem um momento de revolta

Admin · 58 vistos · Deixe um comentário
29 Abr 2014 

Desgraça pouca pra tanto herói

A verdade é que só gosto dos heróis da vida real.
Hoje sou sufocada com diversos "super heróis" criados: são belos, fortes, ricos, vindos de outro planeta, mutantes, falam 14 línguas e dialetos diferentes, sabem 32 modalidades de luta, não comem, não dormem e continuam impecáveis!
Por vezes, para lhe dar um toque de humanidade, se apaixonam por uma mocinha super ética e, na maioria das vezes, linda. Também podem trazer uma historinha triste sobre a morte dos seus pais.
Não, eu não gosto de nada disso. No máximo posso gostar de um que, ao invés de morrer, solta teia pelos dedos desde que foi picado por uma aranha, mas ainda é um "loser" que anda de bicicleta e não tem o mínimo garbo.
É que eu tenho esse defeito de gostar da vida real.
Meus verdadeiros heróis acordam 3h da manhã para pegar dois ônibus e vender marmita na rua; perdem um filho e no lugar de uma depressão, se empenham a ajudar familias acometidas pela mesma situação. Meus heróis talvez nem português falem direito, mas são aqueles que depois de um dia inteiro misturando argamassa ainda consiga brincar com os filhos e acarinhar sua esposa.
Meus heróis, fora de um padrão de beleza, quebram preconceitos, iluminam o ambiente com seu sorriso e conquistam o mundo com sua simpatia.
Meus heróis não são mutantes, mas caso precise abrir a boca de um jacaré para salvar seu neto, ele o faz.
E quantos heróis que não lutam, mas arriscam sua própria vida se colocando a frente de uma bala perdida!
Meus heróis também dormem e comem pouco, enquanto sustentam três empregos e viram noites estudando para poder prover sua família.
Quantos heróis pelas madrugadas de plantão salvam vidas, reconstroem famílias, promovem segurança dando a sua em garantia...
Eu poderia passar o dia inteiro dizendo quantos heróis eu esbarro no meio da rua. Quantos dividem o pouco que tem só pra ver mais alguém sorrir, como eles escondem as próprias agruras só pra derramar um pouco de amor até onde conseguem alcançar. Esses que são os verdadeiros heróis. Simples, sem capas, máscaras, armas ou truques impressionantes. Sem destruir cidades inteiras só pra matar um vilão, mas sim dando verdadeiras lições de amor e fraternidade.
Admin · 39 vistos · Deixe um comentário
24 Abr 2014 

Amando Amanda

Eu precisava confessar. Eu, que tanto fugi disso. Cara, tô apaixonado.
Mas ela é apaixonante mesmo, sabe?
Além de linda, ela é tão leve, saca?
Ela tem uns cabelos cacheados e loiros, parece uma princesa. E que sorriso! Aqueles dentes são capazes de mastigar, triturar e sumir com qualquer infelicidade do mundo! Mas também pode dilacerar quem por ele se apaixona.
Ela conversa contigo olhando nos olhos, sabe como é? Aquele negro em profundidade absorve a alma, cara!
Nossa, eu já fiz tanta coisa inspirado nessa mulher... Primeiro que passei a escrever sobre amor, coisa que nunca fazia; voltei a tocar violão, só música melosa! Aquele talento que tinha pra desenho, que faz tanto tempo tinha sepultado, voltou com tudo, em belas curvas de mulher, paisagens e flores.
Olha, eu estaria preocupado em você estar me achando meio afrescalhado, mas Amanda me ensinou que o importante é ser. Disse também que o que os outros pensam de nós é problemas dos outros, não nosso.
Putz! Que mulher pensa assim hoje em dia? Ela não é aquelas minas maquiadas, escovadas, comportadas e fabricadas como uma boneca vinda diretamente inspirada de uma modelo de TV.
Ela não espera ser aquela gueixa preparada para satisfazer as vontades de um homem. Não! Ela é livre demais pra isso! Ela se arruma porque se ama, por isso ela é linda desde que acorda até quando vai dormir. Ela se cuida, mas não se monta nem se disfarça, sabe como é?
Ela também tem um prazer em ficar sozinha que eu nunca vi igual! É como se estivesse constantemente se namorando silenciosamente, curtindo sua própria companhia. Ela é apaixonada demais por ela mesma pra deixar que um aventureiro qualquer de más intenções ofusque minimamente seu brilho.
Só um valente pra estar com ela. Confesso que to cheio de medo de ficar com ela. A qualquer movimento que demonstre uma vontade de tirar qualquer fagulha sua liberdade ou modificar qualquer ponto em seu jeito de ser, eu sei que ela arrumará as malas e baterá as asas até o ponto mais alto e distante possível.
Ai, Amanda... É só ela remexer aqueles cachos feitos de ouro ou deixar escapar aqueles dentes numa gargalhada espontânea e deliciosamente sonora, tão ela, que o mundo pára só pra assistir.
Eu quero pedir pra ela deixar que eu a ame, sabe? Só preciso dizer... Eu quero oferecer aquele amor que deixe ela cada dia mais linda. Não tô afim de sufocá-la de modo algum! Quero ver cada mais o viço e o brilho dos seus olhos, mar profundo. Se ela não quiser que eu esteja com ela, quero a permissão de apenas admirá-la. Assim, pasmado mesmo!
Poxa, eu sou um artista! Amo o belo! Amo Amanda! Essa poesia em forma humana.
Valeu por escutar o trouxa apaixonado, irmão.
Admin · 45 vistos · Deixe um comentário
22 Abr 2014 

Outros mares

Por todas as suas ausencias, não por necessidade, mas por pura preguiça.
Todas as vezes que seus compromissos sociais não me permitiam tanto contato com sua vida.
Não é intolerância, eu amaria alguém à distancia. O problema é que a ausência já era flagrante quando você não tinha a mesma necessidade de estar perto, por mais que pudesse.
Perto dos olhos, mas tão longe do coração…
Aquele olhar que nunca fora tão entregue quanto o meu. Eu sempre fazendo mais questão de te ver sorrir, por mais que chorasse por dentro. 
Eu, pra você, só um adorno admirável, uma abotoadura de ouro em um paletó barato.
Mas hoje acordei e ,de repente ,aquela canção que enchi de sonhos nossos tornou-se um ruído incômodo.
Aquela canção não tinha nós. Era apenas eu. Eu sonhando sozinha.
Em outros relacionamentos findos, eu podia rever fotos e reler cartas. Podia lembrar de outras músicas com um saudável saudosismo desapegado, como quem relembra memórias com prazer.
Mas não foi assim com você.
Fotos sozinhas, cartas não respondidas e canções que nem sei de onde tirei sentido. Sua ausência permanente levou-me a me apaixonar por outra pessoa: eu mesma. 
Na verdade, ao perceber que estava me sufocando em tantos espaços vazios, me transbordei ao chorar. 
Após chorar rios, te tornei águas passadas. Ao chorar tanto, me salvei de morrer afogada na sua tão presente indiferença.
Assim, sem despedidas, sumi.
Suas parcas procuras não me fazem retornar. Pra você, sou agora fantasma tomando as rédeas da minha embarcação, não mais à deriva de seus prazeres.
Admin · 55 vistos · Deixe um comentário

Página precedente  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7  Próxima página