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Visualização dos artigos postados o: 01/01/2001

17 Abr 2014 

A megera

Ela me acordou de madrugada pedindo pra aparecer. Também pudera, ser inconveniente era o seu maio dom.

Ela tinha aquela aparência inicial de ser independente e tranquila. Engano. Ela era uma megera.
Quando conheceu Bernardo, era só simpatias e sorrisos que, aos poucos, foram se recrudescendo. Acabou para Bernardo as peladas de domingo e as cervejas de quarta. Ela tinha que estar em primeiro lugar, ora essa!
De repente ninguém sabia se ela estava com algum problema ou se tornara antipática da noite pro dia. Que difícil!
A sorte dela era que pra todo senhor existia um escravo, o dela era Bernardo.
Com o tempo, Bernardo, como uma planta bem tosada e em vias de perder suas folhas, perdeu o brilho, a graça e a voz.
Assim, como num fatalismo que a vida impõe, casaram-se. Tudo aos moldes dela, inclusive lua de mel.
Bernardo, mudo e sem nenhuma alma no olhar, nunca brigava, pois era mais fácil assim. Já ela, toda viçosa, tornara-se a simpática do casal novamente.
Ao primeiro filho, ela jurou: "Será meu príncipe!". E assim o fez. Júnior era a cara do pai, mas era o amargor da mãe, para a tristeza de suas pretendentes.
Enquanto Júnior se engrandecia em seu próprio ego, sua mamãe querida ia minguando em sua beleza jovial.
O quadril alargando, o cabelo ressecando e a pele ficando opaca. Era a velhice despontando e evidenciando todo lado pútrido que escondera durante tanto tempo.
A cada namorada apresentada por Júnior, fazia uma brincadeira super agradável para compensar toda sua inveja de juventude:
- Você é a Mariana?
- Não...
- Claudia? 
- Er.... Não....
- Aninha!!
Às gargalhadas, o filho corrigia a mãe com o nome certo. Assim, com o olhar mais cínico e maléfico e um sorriso sonso, se justificava:
- Desculpa, sempre fui terrível com nomes.

Pra sorte dela, eu também.
Admin · 50 vistos · Deixe um comentário
14 Abr 2014 

Ah, o amor...

Não existe amor à primeira vista, tampouco incondicional.
Amor é troca: dar e receber. Não necessariamente na mesma proporção, apenas aquele suficiente de notarmos que não estamos subjugando nem sendo subjugados.
Amor envolve confiança, respeito, admiração e doses de carinho. A falta de qualquer um desses elementos já descaracteriza o amor. E não há pedido de perdão nem passar do tempo que reconstrua, é vidro quebrado.
Assim como evolui, o amor vai minguando a cada dia em que um desses elementos falte. 
Amor está em dar e receber elogios e atenção. Aquele que ama de verdade encontra tempo para dar a todos aqueles que ama, sem ter hierarquia no amor, sem nem ao menos conseguir despertar ciúmes entre os amados (levando em consideração que todos sejam normais).
A partir do momento em que, para ser amado, você precise matar um leão por dia é porque não existe amor. Se ao menor erro o amor entra em xeque, é porque você não é amado. Ou se tentam perdoar tapas e ofensas com flores é porque o amor já se foi há muito tempo. Algo que sobreviva a isso é apenas cordialidade ou masoquismo.
Com o tempo você passa a perceber a diferença e nota que, às vezes, aquele que jura amor eterno é quem menos se importa e, talvez, aquele omisso ama muito mais, sem estardalhaços, apenas atitudes pequenas, mas valiosas. Tais atitudes podem até ser esquecidas, porque quem ama não cobra dívida, apenas continua ou deixa de amar. E quem perde é quem não sabe valorizar.
Daí, você repara que ao passar dos anos diz menos "eu te amo". Fica mais cordial e manso e pára de tentar colar os caquinhos de um amor quebrado. Aprende a reconstituir sua auto-estima toda que vez que alguém a coloca em frangalhos. Aprende que nem todo mundo que deveria te amar de fato o faz e aprende a ouvir a mentira daqueles que dizem que te amam e tanto não o fazem. Aprende que o amor pode vir de onde menos se espera e acabar onde menos se gostaria.
É... A gente endurece, mas parece mais terno. Perdoamos mais, mas amamos menos. Gritamos menos porque passamos a nos importar cada vez menos.
Percebemos, finalmente, que o só existe um amor insubstituível: o que nutrimos por nós mesmos. 

Admin · 57 vistos · Deixe um comentário
12 Abr 2014 

Passageiro

Esse sol que reflete nas águas
Esse vento cálido nas madrugadas
O somente sendo bastante
Cheiro de semente iniciante

O verão que mente resplandecendo vis mortais
Vi entre tantas mentes deslumbramento fugaz
Só no ventre o frio fazia sentido
Sofria ao ver que o verão mentia

O sol que refletia, esmoreceu
De repente, tudo anoiteceu
Não mais sol, só vento
Solvendo

Admin · 29 vistos · Deixe um comentário
09 Abr 2014 

Momentos

Essa colcha de retalhos transfigurada é o que chamamos de vida.

Cada pedacinho deve ser muito bem escolhido e guardar histórias. Quanto mais momentos, maior sua colcha, mais rica sua vida.


Esses farrapinhos de memórias também incluem tristezas, não na sua essência, mas sim os momentos que nós nos proporcionamos para superá-la.


Aquela primeira viagem de avião;


A primeira vez numa cachoeira;


O primeiro porre de rum com cachaça;


O primeiro beijo do namorado;


E tantos primeiros e últimos beijos;


O desabafo com amigo na madrugada;


Os shows deprimentes e nauseantes;


Os shows animados e revigorantes;


As vitórias alcançadas;


As dificuldades;


As andanças;


A família junta no churrasco;


O colo e a bronca dos pais;


E tantas coisas por vir a mais!


Ao final, uma colcha completa de retalhos de pequenos momentos, onde possamos nos envolver no nosso último sono profundo. Com sorriso no rosto e a satisfação de uma vida bem vivida.

Admin · 61 vistos · Deixe um comentário
08 Abr 2014 

A novidade

A beleza que se irradia no distante 
Sempre mais brilhante
Esquecemos de notar o que nos pertence
Deixando nosso dia a dia carente

O que conhecemos revolvemos de tédio
Na vida, o novo é sempre o remédio
Passamos a ignorar o que é nosso
E passamos a fugir e escapar para o próximo

Se olhássemos com olhos de primeira vez
As mesmas coisas e pessoas que um dia já nos deslumbraram
Prorrogaríamos felicidade que tanto nos animaram

Se percebêssemos as minúcias do que conhecemos,
Além de todas as memórias alegres já proporcionadas
Viveríamos mais apaixonados pela nossa própria caminhada.


Admin · 63 vistos · Deixe um comentário

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