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rss Sindicação

 
Visualização dos artigos postados o: 01/01/2001

27 Maio 2014 

Uma língua que não cabia na boca

De repente eu tava roxa e mal cabia na boca. E como me doía, mas meu dono nem sentia.
Ele era guloso e o excesso de comida me fazia mudar de cores às vezes. Também a falta de higiene acabava comigo. Mas havia outras coisas que me causavam verdadeiro transtorno.
Eu era diariamente envenenada com fatos mentirosos. Era nauseante contar tanta mentira! Além disso, vinha um gosto de bílis toda vez que a mentira proferida era por pura inveja.
E como ele me mordia quando propagava impropérios por aí sobre os outros! Como doía.
Rolavam tantas falácias e estórias apenas para tapar sua mediocridade por mim, que eu acabava me enrolando e denunciando tudo. Tinha pena do ranger a que ele submetia meus vizinhos…
Eu merecia beijos quentes e declarações de amor. Merecia palestrar e encantar crianças com contos mágicos. Gostaria de comer saudável e ser bem escovada. 
Eu não quero ser uma das más línguas que divulgam fofocas por aí. Queria ser encantadora de conhecimento.
Ele tinha uma língua que não cabia na boca. Aproveitando de uma convulsão devido sua péssima alimentação, me lancei entre os dentes e alguns pedaços a sua garganta. Fui. Antes que eu tivesse que açoitá-lo na lombar…
Admin · 44 vistos · Deixe um comentário
21 Maio 2014 

A barca

O sol já havia saído mornamente entre as nuvens. Era um dia claro, mas não estava quente, ventava bastante na beira da praia.
Como estava adiantada, fui a pé para as barcas, mas algo estranho passou a acontecer comigo.
Quando comecei a avistar o porto, fiquei tonta e o céu pareceu fechar em tempestade. Esfregava os olhos nervosamente e via que ainda estava longe, o céu ainda claro.
Andava, andava e parecia nunca chegar. Olhei no relógio e estava quase na hora de saída da barca. Passei a correr e novamente veio a vertigem. De repente, não estava mais na calçada, mas correndo na beira do mar, com a barra da calça ensopada e cheia de areia.
Minhas pernas embaralhavam e fiz uma força tremenda para chegar no porto. De novo o céu escuro.
Cheguei 7:57, esbaforida. A barca ainda estava lá, ia cair uma chuva muito forte, pelo jeito. Tinham cinco pessoas na plataforma de embarcação.
Olhei a embarcação da vez e reparei que ela estava imunda. A madeira estava enegrecida e o casco aparentava algumas lascas. Fazia um ruído alto de piso de madeira antigo toda vez que uma onda batia no casco. As janelas também estavam sujas e aparentava ter lodo nos cantos.
- Essa barca é de que horas? - Perguntei para um rapaz ao meu lado. 
Eu realmente não queria entrar nela, mas menos ainda queria chegar atrasada no meu primeiro dia de emprego novo.
O rapaz voltou com o ar cansado e olhos amarelados e respondeu que não íamos pegar aquela embarcação. Olhei ao redor e parecia mesmo que todas as cinco pessoas que lá estavam, todas apresentando o mesmo ar cansado, sabiam que não eram pra entrar naquela barca.
Ainda com receio de me atrasar, perguntei: 
- Por que não podemos pegar logo essa?
Ele respondeu:
- Está cheia.
Ao ultrapassar a dificuldade de ver pelos vidros sujos da barca, percebi que todas as cadeiras estavam vazias.
Ela rangeu e foi se afastando, parecendo que ia se partir a qualquer momento. Depois, desapareceu atrás das escuras nuvens formadas.
Olhei novamente o relógio. 8:00. Uma claridade. As nuvens de chuva se dispersaram e de novo aquele sol meio morno da manhã aparecia.
O rapaz do meu lado tinha olhos verdes e sorriu, mas como se estivesse me vendo pela primeira vez.
Entrei nas barcas, de aparência normal agora.
Abri os olhos 8:45. Tudo fazendo parecer que tinha sido um sonho.
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17 Maio 2014 

Ciclo cromático

Houve um tempo em que eu cobriria meus olhos cor de rosa com as mãos de unhas coloridas.

Aqueles olhos que tantas fotos tiravam em preto e branco.


Houve um tempo em que eu coloria tudo apenas pra me sentir mais viva.


Na vivacidade das cores preencheria as faltas.


Houve um tempo que os sentimentos berrantes eram gritados aos quatro ventos.


O barulho afogaria meu silêncio.


Mas chega um tempo em que se empalidece.


De tanto padecer, se obscurece.


Todas as cores esmorecem.


As fotos em sépia. 


Vendo as cores amenas.


Os sentimentos mais serenos.


O silêncio se fez refúgio do nauseante explodir de arco íris.


Com o tempo, passa-se a se gostar de cinza.

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15 Maio 2014 

Inevitável

No começo tudo é suspiro

De descoberta, emoções, surpresas


Alegrias, encontros, paixões


E a face cheia de encanto emana luz.


As palavras entoam cânticos de amores eternos


E, de repente, tudo tão etéreo...


O suspiro, de doce amargou-se.


A finitude tornou-se insuportável.


A pessoa despe-se de véus principescos.


E tufões repetiu. Virou óbvio e certeza.


A certeza da alegria eterna se foi,


A certeza fixou tudo como incerto.


As surpresas são decepcionantes.


A descoberta cobriu-se de receios,


Emoções tornaram-se angustiantes náuseas,


Os desencontros de paixões tornaram-nos tristes.


A agonia...


No fim, tudo é gemido.

Admin · 61 vistos · Deixe um comentário
09 Maio 2014 

Os namorados de Madeleine

As agruras do poliamor

Admin · 58 vistos · Deixe um comentário

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