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02 Jul 2014 

Adeus, Cristina

Não tinha nada a ver, mas Simone insistia que Márcio estava provocando.
- Você não parava de olhar pra ela!!!
- Queria que eu virasse a cara enquanto ela estava falando, mulher?
Cristina também não fazia nada para evitar qualquer desconforto.
- Mas e essa mania de falar te pegando, te apertando?!
- É o jeito dela! Quer que eu a empurre pra longe?
Simone se irritava ainda mais quando Márcio só a respondia com perguntas. Essa seria a maior evidência que havia algo entre os dois.
Até porque Cristina era linda. Tinhas os lábios e cabelos avermelhados e o rosto sempre corado de uma febre sexual. Os olhos, muito negros, pareciam dois portais para as tentações mundanas. Sem contar o corpo esguio de movimentos de sereia, com todos os contornos e curvas a que tinha direito.
Além de tudo, era simpática, viajada, inteligente, interessante… irritante para as outras mulheres.
Por isso, só tinha poucas amigas mulheres de mesmos atributos ou muita auto confiança e muitos amigos homens, entre eles, Márcio.
Márcio era aquele amigo feio e despretensioso. Valorizava mais amizades que qualquer tipo de relacionamento amoroso. Nariz adunco, cabelo enroladinho e um corpo derrotado de quem vive sentado. Tinha um tique estranho de piscar um olho de cada vez.
Apesar disso, Simone tinha se atraído pelo jeitão simples e atencioso. Enquanto namorados, a presença de Cristina não incomodava tanto. Foi depois de se casarem que os problemas começaram.
Todo evento, festa, jantar era a mesma história: Cristina estava efusivamente se oferecendo a Márcio e ele estava adorando a ideia. Pelo menos era assim que Simone enxergava.
Era anos de amizade, anos de intimidade e lembranças. E nada pior do que saber que seu marido tinha lembranças maravilhosas de juventude com uma ruiva estonteante.
Assim, tudo era motivo para briga entre o casal. Mesmo Márcio sendo um bom marido, Simone estava mais preocupada em odiar Cristina pelo simples fato de existir.
A verdade é que Márcio se sentia orgulhoso e vaidoso. Sua mulher morria de ciúmes dele! Que prazer era.
Por sua vez, Simone adorava uma cena. Achava que era personagem principal de alguma novela mexicana. E adorava principalmente o sexo de reconciliação. Aquele ato cheio de rancor, violência e paixão, com aquela dor instigante de talvez ser a última vez.
Ninguém duvidava que todo esse relacionamento não fosse nem um pouco saudável, mas eles continuavam nesse cabo de força que, embora cansativo, mantinha os dois unidos.
Um belo dia, Cristina quis fazer um comunicado. Ia se casar. Assim, de repente. E não era só isso. Ia morar na Espanha. Estava radiante com a ideia e mais linda que nunca.
Por dentro, Simone comemorava a ida de seu "empecilho pra ser feliz", mas alguma coisa ainda a incomodava.
- Tá tristinho que sua amiguinha vai embora?
- Não me pertuba, Simone! Até quando não tem motivo, você inventa um!
Essa foi a última briguinha do casal. A partir daí, nunca mais viram Cristina. As notícias sobre ela vinham despretensiosamente sem que nenhum dos dois perguntassem.
Tinham tudo para serem felizes agora, sem a presença incoveniente de Cristina.
Mas…
- Sabe, não dá mais… eu quero me separar.
- O que?
Dessa vez, não tinha nada a ver com Cristina, mas talvez com sua ausência. Sem ter de quem sentir ciúmes, Simone viu pela primeira vez seu marido. Sem ter com quem competir, Simone se viu desinteressada pelo "prêmio" que ele representava.
Márcio tinha se tornado sem graça aos olhos de Simone. Ao passo que Márcio não era mais tão seguro de si e envaidecido. O sexo ia ficando morno até congelar cada um em seu canto.
É que Cristina os unia ao mesmo tempo em que deixava os dois por um fio. É que Simone prestara tanta atenção a ela que esqueceu de enxergar ela mesma e seu marido.
- Ah… você que sabe…
Já respondia com desdém Márcio. Também não queria mais lidar com aquela mulher que era incapaz de ser feliz.
Admin · 89 vistos · Deixe um comentário