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29 Abr 2014 

Desgraça pouca pra tanto herói

A verdade é que só gosto dos heróis da vida real.
Hoje sou sufocada com diversos "super heróis" criados: são belos, fortes, ricos, vindos de outro planeta, mutantes, falam 14 línguas e dialetos diferentes, sabem 32 modalidades de luta, não comem, não dormem e continuam impecáveis!
Por vezes, para lhe dar um toque de humanidade, se apaixonam por uma mocinha super ética e, na maioria das vezes, linda. Também podem trazer uma historinha triste sobre a morte dos seus pais.
Não, eu não gosto de nada disso. No máximo posso gostar de um que, ao invés de morrer, solta teia pelos dedos desde que foi picado por uma aranha, mas ainda é um "loser" que anda de bicicleta e não tem o mínimo garbo.
É que eu tenho esse defeito de gostar da vida real.
Meus verdadeiros heróis acordam 3h da manhã para pegar dois ônibus e vender marmita na rua; perdem um filho e no lugar de uma depressão, se empenham a ajudar familias acometidas pela mesma situação. Meus heróis talvez nem português falem direito, mas são aqueles que depois de um dia inteiro misturando argamassa ainda consiga brincar com os filhos e acarinhar sua esposa.
Meus heróis, fora de um padrão de beleza, quebram preconceitos, iluminam o ambiente com seu sorriso e conquistam o mundo com sua simpatia.
Meus heróis não são mutantes, mas caso precise abrir a boca de um jacaré para salvar seu neto, ele o faz.
E quantos heróis que não lutam, mas arriscam sua própria vida se colocando a frente de uma bala perdida!
Meus heróis também dormem e comem pouco, enquanto sustentam três empregos e viram noites estudando para poder prover sua família.
Quantos heróis pelas madrugadas de plantão salvam vidas, reconstroem famílias, promovem segurança dando a sua em garantia...
Eu poderia passar o dia inteiro dizendo quantos heróis eu esbarro no meio da rua. Quantos dividem o pouco que tem só pra ver mais alguém sorrir, como eles escondem as próprias agruras só pra derramar um pouco de amor até onde conseguem alcançar. Esses que são os verdadeiros heróis. Simples, sem capas, máscaras, armas ou truques impressionantes. Sem destruir cidades inteiras só pra matar um vilão, mas sim dando verdadeiras lições de amor e fraternidade.
Admin · 46 vistos · Deixe um comentário
24 Abr 2014 

Amando Amanda

Eu precisava confessar. Eu, que tanto fugi disso. Cara, tô apaixonado.
Mas ela é apaixonante mesmo, sabe?
Além de linda, ela é tão leve, saca?
Ela tem uns cabelos cacheados e loiros, parece uma princesa. E que sorriso! Aqueles dentes são capazes de mastigar, triturar e sumir com qualquer infelicidade do mundo! Mas também pode dilacerar quem por ele se apaixona.
Ela conversa contigo olhando nos olhos, sabe como é? Aquele negro em profundidade absorve a alma, cara!
Nossa, eu já fiz tanta coisa inspirado nessa mulher... Primeiro que passei a escrever sobre amor, coisa que nunca fazia; voltei a tocar violão, só música melosa! Aquele talento que tinha pra desenho, que faz tanto tempo tinha sepultado, voltou com tudo, em belas curvas de mulher, paisagens e flores.
Olha, eu estaria preocupado em você estar me achando meio afrescalhado, mas Amanda me ensinou que o importante é ser. Disse também que o que os outros pensam de nós é problemas dos outros, não nosso.
Putz! Que mulher pensa assim hoje em dia? Ela não é aquelas minas maquiadas, escovadas, comportadas e fabricadas como uma boneca vinda diretamente inspirada de uma modelo de TV.
Ela não espera ser aquela gueixa preparada para satisfazer as vontades de um homem. Não! Ela é livre demais pra isso! Ela se arruma porque se ama, por isso ela é linda desde que acorda até quando vai dormir. Ela se cuida, mas não se monta nem se disfarça, sabe como é?
Ela também tem um prazer em ficar sozinha que eu nunca vi igual! É como se estivesse constantemente se namorando silenciosamente, curtindo sua própria companhia. Ela é apaixonada demais por ela mesma pra deixar que um aventureiro qualquer de más intenções ofusque minimamente seu brilho.
Só um valente pra estar com ela. Confesso que to cheio de medo de ficar com ela. A qualquer movimento que demonstre uma vontade de tirar qualquer fagulha sua liberdade ou modificar qualquer ponto em seu jeito de ser, eu sei que ela arrumará as malas e baterá as asas até o ponto mais alto e distante possível.
Ai, Amanda... É só ela remexer aqueles cachos feitos de ouro ou deixar escapar aqueles dentes numa gargalhada espontânea e deliciosamente sonora, tão ela, que o mundo pára só pra assistir.
Eu quero pedir pra ela deixar que eu a ame, sabe? Só preciso dizer... Eu quero oferecer aquele amor que deixe ela cada dia mais linda. Não tô afim de sufocá-la de modo algum! Quero ver cada mais o viço e o brilho dos seus olhos, mar profundo. Se ela não quiser que eu esteja com ela, quero a permissão de apenas admirá-la. Assim, pasmado mesmo!
Poxa, eu sou um artista! Amo o belo! Amo Amanda! Essa poesia em forma humana.
Valeu por escutar o trouxa apaixonado, irmão.
Admin · 53 vistos · Deixe um comentário
22 Abr 2014 

Outros mares

Por todas as suas ausencias, não por necessidade, mas por pura preguiça.
Todas as vezes que seus compromissos sociais não me permitiam tanto contato com sua vida.
Não é intolerância, eu amaria alguém à distancia. O problema é que a ausência já era flagrante quando você não tinha a mesma necessidade de estar perto, por mais que pudesse.
Perto dos olhos, mas tão longe do coração…
Aquele olhar que nunca fora tão entregue quanto o meu. Eu sempre fazendo mais questão de te ver sorrir, por mais que chorasse por dentro. 
Eu, pra você, só um adorno admirável, uma abotoadura de ouro em um paletó barato.
Mas hoje acordei e ,de repente ,aquela canção que enchi de sonhos nossos tornou-se um ruído incômodo.
Aquela canção não tinha nós. Era apenas eu. Eu sonhando sozinha.
Em outros relacionamentos findos, eu podia rever fotos e reler cartas. Podia lembrar de outras músicas com um saudável saudosismo desapegado, como quem relembra memórias com prazer.
Mas não foi assim com você.
Fotos sozinhas, cartas não respondidas e canções que nem sei de onde tirei sentido. Sua ausência permanente levou-me a me apaixonar por outra pessoa: eu mesma. 
Na verdade, ao perceber que estava me sufocando em tantos espaços vazios, me transbordei ao chorar. 
Após chorar rios, te tornei águas passadas. Ao chorar tanto, me salvei de morrer afogada na sua tão presente indiferença.
Assim, sem despedidas, sumi.
Suas parcas procuras não me fazem retornar. Pra você, sou agora fantasma tomando as rédeas da minha embarcação, não mais à deriva de seus prazeres.
Admin · 63 vistos · Deixe um comentário
17 Abr 2014 

A megera

Ela me acordou de madrugada pedindo pra aparecer. Também pudera, ser inconveniente era o seu maio dom.

Ela tinha aquela aparência inicial de ser independente e tranquila. Engano. Ela era uma megera.
Quando conheceu Bernardo, era só simpatias e sorrisos que, aos poucos, foram se recrudescendo. Acabou para Bernardo as peladas de domingo e as cervejas de quarta. Ela tinha que estar em primeiro lugar, ora essa!
De repente ninguém sabia se ela estava com algum problema ou se tornara antipática da noite pro dia. Que difícil!
A sorte dela era que pra todo senhor existia um escravo, o dela era Bernardo.
Com o tempo, Bernardo, como uma planta bem tosada e em vias de perder suas folhas, perdeu o brilho, a graça e a voz.
Assim, como num fatalismo que a vida impõe, casaram-se. Tudo aos moldes dela, inclusive lua de mel.
Bernardo, mudo e sem nenhuma alma no olhar, nunca brigava, pois era mais fácil assim. Já ela, toda viçosa, tornara-se a simpática do casal novamente.
Ao primeiro filho, ela jurou: "Será meu príncipe!". E assim o fez. Júnior era a cara do pai, mas era o amargor da mãe, para a tristeza de suas pretendentes.
Enquanto Júnior se engrandecia em seu próprio ego, sua mamãe querida ia minguando em sua beleza jovial.
O quadril alargando, o cabelo ressecando e a pele ficando opaca. Era a velhice despontando e evidenciando todo lado pútrido que escondera durante tanto tempo.
A cada namorada apresentada por Júnior, fazia uma brincadeira super agradável para compensar toda sua inveja de juventude:
- Você é a Mariana?
- Não...
- Claudia? 
- Er.... Não....
- Aninha!!
Às gargalhadas, o filho corrigia a mãe com o nome certo. Assim, com o olhar mais cínico e maléfico e um sorriso sonso, se justificava:
- Desculpa, sempre fui terrível com nomes.

Pra sorte dela, eu também.
Admin · 49 vistos · Deixe um comentário
14 Abr 2014 

Ah, o amor...

Não existe amor à primeira vista, tampouco incondicional.
Amor é troca: dar e receber. Não necessariamente na mesma proporção, apenas aquele suficiente de notarmos que não estamos subjugando nem sendo subjugados.
Amor envolve confiança, respeito, admiração e doses de carinho. A falta de qualquer um desses elementos já descaracteriza o amor. E não há pedido de perdão nem passar do tempo que reconstrua, é vidro quebrado.
Assim como evolui, o amor vai minguando a cada dia em que um desses elementos falte. 
Amor está em dar e receber elogios e atenção. Aquele que ama de verdade encontra tempo para dar a todos aqueles que ama, sem ter hierarquia no amor, sem nem ao menos conseguir despertar ciúmes entre os amados (levando em consideração que todos sejam normais).
A partir do momento em que, para ser amado, você precise matar um leão por dia é porque não existe amor. Se ao menor erro o amor entra em xeque, é porque você não é amado. Ou se tentam perdoar tapas e ofensas com flores é porque o amor já se foi há muito tempo. Algo que sobreviva a isso é apenas cordialidade ou masoquismo.
Com o tempo você passa a perceber a diferença e nota que, às vezes, aquele que jura amor eterno é quem menos se importa e, talvez, aquele omisso ama muito mais, sem estardalhaços, apenas atitudes pequenas, mas valiosas. Tais atitudes podem até ser esquecidas, porque quem ama não cobra dívida, apenas continua ou deixa de amar. E quem perde é quem não sabe valorizar.
Daí, você repara que ao passar dos anos diz menos "eu te amo". Fica mais cordial e manso e pára de tentar colar os caquinhos de um amor quebrado. Aprende a reconstituir sua auto-estima toda que vez que alguém a coloca em frangalhos. Aprende que nem todo mundo que deveria te amar de fato o faz e aprende a ouvir a mentira daqueles que dizem que te amam e tanto não o fazem. Aprende que o amor pode vir de onde menos se espera e acabar onde menos se gostaria.
É... A gente endurece, mas parece mais terno. Perdoamos mais, mas amamos menos. Gritamos menos porque passamos a nos importar cada vez menos.
Percebemos, finalmente, que o só existe um amor insubstituível: o que nutrimos por nós mesmos. 

Admin · 56 vistos · Deixe um comentário

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